Introdução:
“Um povo só é um povo quando se tem uma história, um povo só se mantém unido, só conserva sua identidade através do tempo, se pode firmar suas raízes em lugares seguros através dos séculos.” João L. Dall’Alba
No século IV foram raras as perseguições aos cristãos, pelo contrário, os políticos os achavam cada vez mais cooperadores e simpáticos. Neste período foram promulgadas leis favoráveis à igreja. Tais leis marcaram o começo da Igreja estatal. Assim, por mais de 1000 anos, a igreja e o Estado andaram de mãos dadas. A população formava uma sociedade cristã, na qual todas as pessoas eram nascidas como cidadãos e batizadas na infância como cristãs. Isto na época parecia para muitos ser o cumprimento do placo de Deus para a humanidade. Com o passar do tempo a Igreja começou a perder a vitalidade e a dedicação clara aos ensinamentos apostólicos e a entrada de falsos ensinamentos aumentava cada vez mais. Então, certas praticas tornaram-se comuns, tais como: batismo de crianças e o batismo em massa de todos os cidadãos de um povo ou de uma região quando um governante se convertia. O fato de ser cristão já não era uma questão de decisão pessoal perante Deus, mas um requisito imposto pelo governo sobre todas as pessoas. Como resultado, em muitos lugares o povo era cristão só de nome. A Igreja já não era a comunidade de crentes, mas uma mistura de crentes verdadeiros e de “cristãos forçados”, muitos dos quais continuavam com suas práticas pagãs.
Isto fez com que no século X ao CII vários movimentos e vozes de protesto apareceram em cena, entretanto, eles foram perseguidos e destruídos, assim sendo nenhum deles colocou a Igreja definitivamente numa nova direção e o poder da Igreja sobre o mundo continuava aumentando.
No século XVI a Europa estava no limiar de uma nova época política e social. Eram os humanistas nas universidades se preocupando com idéias da Renascença, as impressões de livros, descoberta das Américas e a burguesia em fase crescente. Tudo isto contribuiu para uma renovação da sociedade e também da Igreja, pois alguns eruditos e sacerdotes começaram a estudar o idioma original da Bíblia e assim q questionar os ensinamentos pregados até então. Esta renovação na Igreja é conhecida como “Reforma”.
Um dos reformadores mais conhecidos foi Martinho Lutero. Ele deu um passo muito firme ao tornar a Bíblia a única autoridade com relação a vida e a doutrina da igreja. Porém, ele não foi o único a discordar da Igreja. Houve um verdadeiro fermento em toda a Europa, e vários outros líderes se dedicaram para reformar a Igreja, como Calvino, Zuínglio, Conrado Grebel, Menno Simons e outros.
Grebel, após muito pesquisa a bíblia, concluiu que somente pessoas que crêem em Jesus Cristo deveriam ser batizadas. No dia 17 de janeiro de 1525 houve um debate público, após muita discussão o governo não concordou com Grebel e ordenou que continuassem a batizar todas as crianças. Grebel não acatou a ordem do governo e começou a batizar as pessoas que interpretavam a bíblia como ele. Pelo fato de batizarem pessoas adultas, foram chamados pelos adversários de Anabatistas, que significa: aqueles que batizam mais uma vez. Grebel negava a acusação, pois não reconhecia o batismo infantil de verdadeiro, todavia o nome de Anabatistas permaneceu. Esta atitude de Grebel foi considerada como desobediência e hostilidade ao governo e isto gerou o início de uma cruel perseguição aos anabatistas, que passaram a ser considerados rebeldes e perigosos. Alguns foram açoitados outros foram afogados ou decapitados e muitos eram considerados ilegítimos, não podendo herdar os bens dos pais. O próprio Grebel foi encarcerado e privado de comunicação. Foi julgado e condenado a prisão perpétua juntamente com Félix Mantz e Blaurock. Grebel e seus amigos conseguiram escapar e pouco tempo depois já estavam pregando novamente. Grebel não andava bem de saúde e aos 28 anos faleceu o homem que havia ajudado a fundar a primeira Igreja Livre dos tempos modernos de Zurique, devido a uma epidemia. Mantz esteve diversas vezes dentro e fora da cadeia. Em 3 de dezembro de 1526, foi preso e condenado a morrer afogado. Em 5 de janeiro de 1527, as três da tarde, conduziram Mantz, amarrado pelos pés e pelas mãos, ao rio Limat, que atravessa Zurique. Ali, prenderam seu corpo pelos joelhos com uma barra de ferro e amarraram uma corda. Em seguida, jogaram-no nas águas geladas do rio. Pouco antes de sua execução, Mantz bradou em latim: “Em taus mãos, ó senhor; entrego o meu espírito”.
Neste mesmo dia, Blaurock, sem camisa, foi açoitado quase até à morte. Mais tarde mudou-se para a região de Tirol na Áustria onde mais de mil pessoas converteram-se a Cristo devido ao seu trabalho. Em agosto de 1527 foi preso e torturado severamente pelas autoridades. Em mês depois, mais precisamente no dia 6 de setembro, foi queimado vivo. Ao morrer, levantou os dedos num sinal, combinado com seus amigos, de que ainda confiava em Cristo.
Poucos líderes escaparam do martírio, mesmo assim uma pequena comunidade sobreviveu na Suíça. Esta perseguição ao contrário do esperado deu origem a um crescimento dos anabatistas, que se espalharam pela suíça, Alemanha e Países Baixos. As autoridades não conseguiam extermina-los, pois eles preferiam morrer a negar a sua fé. Por volta de 1495 nasceu em Witmarsum, Menno Simons em uma pequena aldeia na província de Friesland ao norte da Holanda, onde seus pais viviam provavelmente como agricultores. Nada se sabe sobre sua infância e juventude. Sabe-se porém que Menno foi ordenado como sacerdote em 1524, apesar do pouco conhecimento de grego e nenhum de hebraico.Durante seu primeiro ano de sacerdócio ele começou a inquietar-se sobre a doutrina da Igreja, isto fez com que ele se voltasse as escrituras para uma busca mais detalhada. Um fato que marcou e abalou a vida de Menno Simons foi a noticia de que certo apóstolo fora decapitado por haver sido rebatizado. Isto fez com que ele pesquisasse a bíblia profundamente, mas nela não encontrou apoio que condenasse o batismo adulto e aprovasse o infantil.
Estes e outros fatos fizeram com que Menno Simons abandonasse o seu sacerdócio e pedisse para ser batizado, tornando-se assim um integrante do grupo dos Anabatistas.
Pela sua forma humilde e sábia de agir, logo se tornou líder para conduzir o grupo anabatista peregrino através do deserto espiritual. Seu destino era separara verdade da meia verdade, substituir ensinamentos obscuros por claros, encorajar os perseguidos e corrigir os mal orientados, enquanto ele mesmo era caçado como herege. Como refugiado, ele dirigia o movimento ajudando os irmãos a suportarem o sofrimento pela fé. Ele ensinou que tinham que tolerar o sofrimento, pois eram soldados da cruz, como conseqüência a necessidade de carregar a cruz por Cristo. Por meio da liderança e do entusiasmo de Menno, os irmãos conseguiam prosseguir apesar das perseguições. Desde a fundação do movimento até 1574, quase 2500 pessoas morreram nos Países Baixos por seguirem a fé Anabatista. Seus seguidores foram logo conhecidos como “Mennits” ou “Mennonits” e eventualmente como Menonitas, embora Menno Simons não tivesse fundado o Anabatismo, seu nome foi dado ao movimento. Menno tornou-se o mais importante líder do Anabatismo. Com a graça de Deus, ele viveu muitos anos, (faleceu em 31 de janeiro de 1561), o que possibilitou seu ministério. Menno escreveu cerca de 20 livros e folhetos, que foram de grande ajuda para animar e guiar os irmãos dispersos pela perseguição, os quais muitas vezes ficavam confusos devido as falsas doutrinas.
Na época, as Igrejas eram Igrejas do Estado. Esta estrutura era contrária aos princípios religiosos dos anabatistas agora também chamados de menonitas, que pregavam a idéia da separação entre a Igreja e o Estado. Eles sonhavam com uma Igreja livre, ou seja, desvinculada de qualquer governo. Este principio não foi aceito pelos protestantes nem pelos católicos que começaram a perseguir e condenar a morte os menonitas.
Em meados do século XVI os menonitas se refugiaram na região de Dantzig(região pertencente a Alemanha antes da 1ª Guerra Mundial), fugindo da Holanda, onde não havia mais possibilidades para praticarem livremente sua religião.
Ficaram em Dantzig, atual Gdansk(Polônia), por volta de 200 anos, onde incorporaram cada vez mais elementos da cultura alemã. Em 1786 a Czarina Katarina II, também conhecida como Catarina a Grande, convidou os colonos menonitas da Alemanha para virem ao Sul da Rússia e ali se estabeleceram nas terras desocupadas pelos turcos e assim introduziram suas culturas agrícolas nas incultas estepes do Volga. Ela ofereceu uma troca terras, liberdade religiosa, auxílio do governo, o direito da administração própria de seus bens e isenção de serviço militar, resultando em uma certa autonomia para as colônias. Havia também uma cláusula interessante garantindo aos menonitas permissão especial para fazerem cerveja, vinagre e destilar brandy, uma característica pela qual eles já eram famosos em Danzig e Prússia. Isto animou os menonitas, já que eles se encontravam bastante inseguros e apreensivos devido o aumento dos preparativos militares na Europa decorrente da agitação política na França.
Outro detalhe que estimulou a aceitarem o convite da czarina foi o fato de que com o crescimento da sua população, muitos colonos já não tinham suas próprias terras para cultivarem, devido o controle governamental da Prússia que impedia os menonitas a adquirirem novas áreas.
Em 1788 chegaram os primeiros menonitas na Rússia. As primeiras décadas foram de grandes dificuldades, tanto que a maioria dos imigrantes se encontrava um tanto insatisfeito. Doenças, mortes, chuvas e roubos causaram-lhes grandes perdas. Aos poucos foram surgindo novas colônias e em 1800 já eram 10.000 menonitas que começavam a progredir.
1874 – os privilégios concedidos pela Catarina II foram gradativamente sendo retirados, os jovens eram convocados a participarem do serviço militar. Esta atitude do governo fez com que 21.000 menonitas abandonassem a Rússia em direção a América do Norte. A maioria daqueles que permaneceram tiveram um grande desenvolvimento financeiro. Entre 1890 e 1914 foi o auge da prosperidade. Formavam uma população de 120.000 menonitas. Eram proprietários de mais de 1.600.000 hectares de terra. 70 grandes moinhos de trigo movidos a vapor, fábricas cuja produção anual combinada incluía 15.000 ceifadeiras mecânicas e 10.000 arados, 8 indústrias com cerca de 1800 funcionários, 38 olarias, industrialização de laticínios e outros projetos industriais. Suas fazendas eram consideradas por muitos como as melhores do mundo. Seis por cento da produção industrial na Rússia era feita pelos menonitas. Esta economia florescente tornou possível desenvolverem programas cívicos e educacionais únicos em qualquer lugar do mundo. Também foram construídos uma escola para surdos-mudos, quatro escolas para moças e uma escola de comércio para rapazes. Em 1914 eles tinham 400 escolas primárias e 13 escolas de segundo grau, 2 faculdades pára formação de professores, 4 escolas de comércio e uma escola bíblica. Além disso, existiam aproximadamente 250 estudantes menonitas freqüentando a instituições russas de educação superior e 50 alunos em seminários e universidades do exterior.
Assim sendo, a organização social dos menonitas atinge um alto nível cooperativista e o desenvolvimento econômico alcança o seu ápice. Ao longo dos 150 anos que permaneceram na Rússia, desenvolveram um sistema agrícola e industrial que se tornou mundialmente conhecido.
1914 – 1ª Guerra Mundial Rússia lutou contra a Alemanha, com isto os menonitas perderam a simpatia e muitas regalias do governo russo e assim começaram a ser vigiados.
1916 – Já se comentava que toda a terra dos alemães na Rússia seria dividida e parte dela dada aos soldados russos quando esses retornassem da guerra.
1917 – Revolução Russa, Katarina II foi deposta. Se deu início a terríveis lutas internas no país, Vermelhos X Brancos. Muitas regiões ficaram sem governo, sem leis. Os menonitas como fazendeiros e comerciantes próperos começaram a serem vistos como inimigos da revolução. Em conseqüência ocorreram muitas mortes brutais e o sangue escoava.
1920 – Nessa primavera vermelhos venceram brancos a Rússia estava sobre comando de Lênin e se tornava bolchevista(bolcheviques) e Trotski foi nomeado ministro das Relação Exteriores. Nesta época viviam aproximadamente 120.000 menonitas na Rússia. Cada família de colonos poderia ficar com 15 hectares, no máximo 32 se a família fosse grande. Impostos altos começavam a ser cobrados muitas vezes a colheita toda não era suficiente para pagar os mesmos.
O governo após a revolução de 1917 decidiu que toda propriedade privada pertencia ao estado. Assim sendo, o governo abandonava sua estrutura capitalista para se tornar um estado socialista. Uma grande crise interna se instalou na Rússia Soviética, com isto não restou ao povo menonita que lá se encontrava contribuindo decisivamente para o progresso do país, outra opção a não ser procurar uma nova terra, em que não fossem perseguidos, presos, nem mortos e em que seus bens pudessem ser respeitados como um direito inalienável a pessoa humana. Portanto, não fazia mais sentido algum a sua permanência na Rússia, principalmente devido a proibição da educação cristã. A situação se tornou caótica a tal ponto, que professores cristãos eram enviados para campos de concentração da Sibéria.
Os menonitas deixaram tudo o que possuíam, convictos de que a liberdade de crença é o bem maior que um homem pode possuir. Suas trezentas e cinqüenta agrovilas e os cento e cinqüenta anos de vida nacional não foram suficientes pára que sua liberdade fosse respeitada pelos novos donos do poder. Do que lá criaram com amor, sacrifício e dedicação, nada mais restou e a fuga foi a única alternativa que encontraram para que sua destinação religiosa pudesse se desenvolver sem perseguições e mortes.
1923 a 1926 – Mais de 20.000 menonitas conseguiram ir para o Canadá. Esta notícia se espalhou rapidamente entre as colônias e serviu de estimulo para que cada vez mais pessoas abandonassem suas casas, os animais, seus bens e começassem a ir a Moscou para também tentarem o seu visto de saída. Quando o governo percebeu que era um grande número de colonos tentando emigração, decidiu fechar seus portões, porém eles não desistiram e se agrupavam em grande número na capital Russa.
Outubro/Novembro 1929 – Mais de 13.000 fugitivos se encontravam aglomerados em Moscou. A desorganização e o tumulto eram generalizados. Pais eram presos em prisões geladas e o governo russo tentava convence-los a voltarem às colônias. A maioria afirmava que nunca voltaria, era liberdade ou morte. Devido a esta decisão radical muitos foram brutalmente mandados de volta em caminhões sem qualquer infra-estrutura onde partos e mortes foram registrados. No meio deste sofrimento 700 famílias fizeram um abaixo assinado dizendo que se não recebessem o visto eles iriam a praça vermelha (kremlin) onde estariam dispostos a morrer, porém voltar as suas terras jamais.
O professor Benjamin H. Unruh que havia sido enviado pelos menonitas há alguns anos atrás para a América a procura de novas áreas de plantio, ficou sabendo da terrível situação do seu povo na Rússia, rapidamente espalhou esta notícia da brutalidade russa para o mundo afora. A Rússia para abafar o escândalo cedeu visto de saída para 5.671(3.885 menonitas) pessoas já que a Alemanha havia aberto as fronteiras para a imigração desse povo. Todavia mais de 7.000 colonos não tiveram a mesma sorte de passar pelo portão vermelho e foram impiedosamente enviados para as florestas congeladas da Sibéria onde eram presos ou obrigados a realizar trabalhos forçados. Porém, aqueles que conseguiram chegar a Alemanha, puderam permanecer alguns meses, já que ela também se encontra em situação difícil devido às conseqüências da 1ª Guerra Mundial.
Assim sendo, o Brasil, o Paraguai e o Canadá abriram as portas para a imigração deste povo.
1930 a 1932 – 1.245 pessoas após 17 dias de viagem de navio chegaram ao Brasil. Isto se tornou possível através dos esforços do governo alemão principalmente da Cruz Vermelha Germânica e da ajuda substancial dos menonitas holandeses. Chegaram ao Rio de Janeiro, mais precisamente na Ilha das Flores, onde permaceram 66 dias fazendo exames médicos e comendo feijão preto, carne seca e um pão francês por dia. Também de navio foram para Itajaí SC. De lá em um pequeno barco percorreram 45 km em 8 horas até a cidade de Blumenau onde este barco se contra até a data de hoje um museu da cidade. De Blumenau foram de trem em 3 horas até a estação final chamada de Hansa. Já próximos ao local cedido pela Companhia Hanseática de Colonização(vale do rio Krauel, oeste de Ibirama) eram mais de 60 km percorridos a cavalo. Montanhas de um lado e o rio do outro. Os sentimentos eram confusos era uma mistura de desânimo pela qualidade das terras e ansiedade pelo que encontrariam pela frente e de alegria pela liberdade. Duas comunidades foram estabelecidas, Witmarsum no vale do rio Krauel e Auhagen em Stoltz Plateau. Os primeiros abriram com foice e machado o primeiro atalho as matas virgens. As palhas da palmeira serviam como telhado para as palhoças. Os macacos se assustavam com aquela gente e os papagaios reclamavam bastante contra os intrusos. Após algum tempo nenhuma das duas colônias parecia prosperar economicamente, pois a região não propiciava o desenvolvimento agrícola do grupo. Eles estavam acostumados a regiões planas e temperadas na Rússia e, em Santa Catarina além do clima quente a região era de florestas e encostas íngremes, a terra não era arável, com isto eles foram obrigados a reduzir a sua tecnologia agrícola à lavoura de enxada, cultivando a mandioca e o milho, embora as montanhas e os vales oferecessem um cenário muito bonito. Os menonitas decidiram então procurar outras terras. Em 1934, a maioria dos indivíduos de Auhagen, se estabeleceram em Curitiba e arredores onde o campo aberto da cidade permitia o uso do arado e criação de gado. A dedicação à leiteria foi em tão grande escola que em pouco tempo eles forneciam mais da metade do leite consumido pelos 250.000 habitantes da capital paranaense. Fica assim evidente a grande importância que os menonitas tiveram para o desenvolvimento de Curitiba, principalmente dos bairros do Boqueirão e Xaxim.Devido ao idioma(alemão) e à proveniência(da Rússia), eles eram conhecidos pelos moradores mais antigos de Curitiba, como alemães-russos. Em 1951 o moradores da colônia de Witmarsum também abandonaram suas terras e se estabeleceram a 100 km de Curitiba em Nova Witmarsum no município de Palmeiras onde adquiriram a fazenda Cancela. Outros foram para o Rio Grande do Sul formar a Colônia Nova, e alguns encontraram emprego nas grandes cidades, principalmente São Paulo. Por meio destes esforços de relocalização a maioria dos imigrantes foi logo capaz de alcançar a independência econômica. Em 1978 a comunidade étnica de menonitas alemães totalizava uma população de 4.100 habitante no Brasil. Hoje (2005) são mais de 10.000.
CHEGADA DOS MENONITAS EM TAIÓ – SC
Quando nos anos 30 os primeiros imigrantes menonitas chegaram para colonizaram a região do vale de Santa Catarina, alguns chagaram a região que foi chamada Ribeirão Pinheiro, um pequeno vilarejo na época povoado principalmente por italianos e alguns alemães. Esses primeiros menonitas que aqui chegaram tiveram que se preocupar tanto com a sua sobrevivência que no ímpeto de organizar novamente o seu povo e estruturar suas famílias, deixou de lado a pregação do evangelho, não evangelizando os habitantes que aqui encontrarão, que na época eram Luteranos e Católicos.
Muitos anos mais tarde entre 1950 e 1960, os menonitas começaram a se organizar como igreja e foi fundada a COBIM que organiza as igrejas menonitas de todo país. Em uma determinada reunião os membros da COBIM chegaram a conclusão de que ficaram devendo o evangelho na região de Ribeirão do Salto, Ribeirão Pinheiro e Taió. Então em 1961 foi enviado um missionário da igreja que fica na cidade de Witmarsum-SC para o vilarejo de Ribeirão do Salto, sendo construído em 1975 o primeiro templo na localidade de Ribeirão Pinheiro.
Neste época as reuniões ainda eram ministradas no idioma alemão e começou a ser pregado em português apenas em 1971. após algum tempo a igreja começa a prosperar em número também em Taió, cidade vizinha que começava a dar os seus primeiros passos no evangelho na garagem do senhor Waldemar Struts, e assim foi até 1982 quando começou a ser construído o templo na cidade de Taió, após o término da construção foi feita a sua inauguração em abril de 1984, e foi instituída a igreja com 30 membros e o seu primeiro Pr. Geraldo Ott que na época também era pastor da igreja em Ribeirão Pinheiro, nesse período não houve nenhuma perseguição aos menonitas, mas a sua estruturação como igreja não foi vista com bons olhos nem pelos luteranos nem pelos católicos visto que eram anabatistas. A igreja também manteve um programa de rádio de 1975-1985 chamado benção dominical que foi a maneira encontrada de divulgar tanto a igreja como a sua doutrina.
A igreja de Taió teve então como primeiro Pr. Geraldo Ott de 1984 até 1985, de 1986-1991 Werner Krocker, de 1992 – 2002 Jandir Passold, e de 2003 até os dias de hoje Hartmutt Wall, a igreja que começou com trinta membros hoje conta com 100 membros, atua como mantenedora de missionários, e está em fase de transição para igreja em células.
Cerca de sessenta anos após a reunião da COBIM que decidiu evangelizar essa parte do estado fica a alegria em relatar que não estão mais nos devendo em nada.
Conclusão:
A História desse povo e dessa igreja, se misturam com a graça que Deus concedeu aos primeiros Menonitas que buscaram apenas a verdade da palavra de Deus, e também o perdão dos seus pecados e a esperança de estar com Cristo.
Bibliografia:
Irmãos em Ação edição especial
Entrevista: Pr. Geraldo Ott |